Do Mesa ao Vivo para a Mesa do Bacuri: Quando a Gastronomia Sul-Mato-Grossense Encontra o Brasil

Por Bacuri Cozinha Regional | Notícias em 20/08/2026 | Categoria: Datas Especiais e Inspirações


Do Mesa ao Vivo para a Mesa do Bacuri: Quando a Gastronomia Sul-Mato-Grossense Encontra o Brasil

Pela primeira vez na história, o Mesa Ao Vivo, considerado o maior circuito de experiências gastronômicas do Brasil e realizado pela revista Prazeres da Mesa, desembarcou em Mato Grosso do Sul. Nos dias 14 e 15 de agosto, o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande, recebeu mais de 30 chefs brasileiros para um evento que celebrava a diversidade cultural do estado sob o tema "Sabores do Mato Grosso do Sul: uma conexão cultural".

Entre os nomes convidados estava o Chef Sylvio Trujillo, à frente do Bacuri Cozinha Regional, de Bonito, levando ao público uma interpretação contemporânea da culinária sul-mato-grossense. Não era apenas uma participação em um evento. Era a oportunidade de mostrar ao país que a gastronomia do Mato Grosso do Sul tem identidade, tem história e tem lugar na alta cozinha brasileira.

O Sashimi do Piloteiro: Tradição dos Rios, Recriado com Piraputanga

O prato que o Chef Sylvio escolheu para apresentar no Mesa Ao Vivo carrega uma história que vem das águas. O Sashimi do Piloteiro é inspirado na cultura dos piloteiros, aqueles que dominam o leito dos rios e conduzem os barcos pela bacia do rio Paraguai. É um prato cultural sul-mato-grossense, nascido do conhecimento silencioso de quem entende o movimento das águas e a vida que pulsa nelas.

Originalmente, o sashimi do piloteiro é preparado com pintado. Mas dessa vez, o Chef Sylvio fez uma escolha que muda tudo: utilizou a piraputanga, o peixe símbolo de Bonito. Farto nos rios cristalinos da Serra da Bodoquena, esse peixe de nome tupi que significa "peixe avermelhado", devido à coloração de sua cauda, possui uma carne firme e saborosa que se traduz em puro frescor no paladar.

A substituição não foi um detalhe técnico. Foi uma declaração de pertencimento. Ao levar a piraputanga para o palco do Mesa Ao Vivo, o Chef Sylvio estava levando Bonito, estava levando os rios da Serra da Bodoquena, estava levando a identidade de um território inteiro para o centro da conversa gastronômica nacional.

Cultura Sul-Mato-Grossense em um Único Prato

No palco do evento, o Chef Sylvio não apenas cozinhou. Contou histórias. Falou sobre a influência paraguaia na culinária do estado, sobre as fronteiras culturais que moldaram o jeito de comer em Mato Grosso do Sul. Explicou como a tradição dos rios, dos piloteiros e dos pescadores se transforma em gastronomia quando tratada com técnica e respeito.

Essa influência de fronteira é uma das marcas mais fortes da identidade sul-mato-grossense. A proximidade com o Paraguai trouxe para a mesa pratos como a chipa guazu, uma espécie de torta salgada feita com milho fresco, cebola e queijo, que se tornou tão parte da culinária local quanto qualquer prato nascido no Pantanal. E falar dessas influências não é falar de cópia. É falar de como as culturas se encontram, se misturam e criam algo novo, algo que só existe aqui.

Para o Chef Sylvio, o Mesa Ao Vivo foi um marco. Um momento que coloca Mato Grosso do Sul no mapa gastronômico do país e mostra a riqueza que existe na cozinha regional. Não pelo exotismo, mas pela autenticidade. Pela forma como ingredientes, técnicas e tradições se encontram para criar algo que não se encontra em nenhum outro lugar.

O Evento Não Terminou em Campo Grande

A história poderia ter acabado ali, no palco de Campo Grande. Mas algo maior aconteceu. Após o evento, chefs de diversas partes do Brasil vieram a Bonito. E o destino natural dessa visita foi o Bacuri Cozinha Regional.

Na mesa do Bacuri, os chefs que participaram do Mesa Ao Vivo puderam vivenciar, na prática, o que o Chef Sylvio havia apresentado no palco. Provaram a piraputanga corumbaense, prato que celebra o peixe em sua expressão mais tradicional, com carne firme e saborosa que carrega a essência das águas cristalinas. Provaram a chipa guazu, com sua textura única de milho fresco e queijo, que representa a influência paraguaia tão enraizada na cultura sul-mato-grossense.

E provaram a sobremesa fazendinha, um doce que fecha a refeição com a mesma linguagem de território que guia todos os pratos do restaurante. Uma sobremesa que fala de interior, de tradição, de memória afetiva.

Um Momento de Trocas e Aprendizados

O que aconteceu no Bacuri após o Mesa Ao Vivo foi algo raro. Chefs de diferentes regiões do Brasil sentados à mesma mesa, provando a mesma comida, conversando sobre as mesmas técnicas e ingredientes. Foi um momento de trocas genuínas, onde a gastronomia regional de Mato Grosso do Sul não estava sendo apresentada para turistas, mas para colegas. Para pessoas que entendem de cozinha, que sabem ler um prato, que reconhecem quando há intenção e verdade no que está sendo servido.

Esse tipo de intercâmbio é o que faz a gastronomia evoluir. Quando um chef de outro estado prova a piraputanga corumbaense e entende o que ela representa, quando sente a textura da chipa guazu e percebe a influência de fronteira, quando descobre uma sobremesa como a fazendinha e percebe que há uma inteligência culinária ali que merece ser conhecida, algo muda. O olhar sobre a gastronomia regional muda. E Mato Grosso do Sul ganha um pouco mais do reconhecimento que merece.

O Que Fica Depois do Evento

Eventos como o Mesa Ao Vivo são importantes não apenas pelo que acontece durante os dois dias de programação. São importantes pelo que acontece depois. Pelas conversas que continuam, pelas parcerias que se formam, pelo olhar que muda sobre uma região.

Para o Chef Sylvio Trujillo, participar do Mesa Ao Vivo representando o Bacuri foi levar Bonito para um palco nacional. Mas receber os chefs em Bonito, na mesa do Bacuri, foi trazer o Brasil para dentro da cozinha sul-mato-grossense. E mostrar, sem precisar de muitas palavras, que a gastronomia regional tem força para dialogar com qualquer cozinha do país.

A cozinha regional de Mato Grosso do Sul não precisa de validação externa. Mas quando ela acontece, quando chefs de todo o Brasil sentam à mesa do Bacuri e reconhecem o que está ali, algo se confirma. A riqueza gastronômica do estado não é potencial. É realidade. E está sendo servida, todos os dias, na Rua 24 de Fevereiro, no centro de Bonito, MS.

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