Por Bacuri Cozinha Regional | Notícias em 24/11/2025 | Categoria: Destino Bonito e Turismo Gastronômico
Visitar o Bacuri é entrar num universo onde gastronomia, história e identidade regional se encontram. Em Bonito (MS), rodeado por uma natureza que parece ter sido desenhada para inspirar, o restaurante se destaca não apenas pelos pratos, mas pela forma como conta o Pantanal através de sabores, texturas, cores e memórias.
A experiência começa antes mesmo do primeiro prato chegar à mesa. O espaço, construído com elementos da cultura sul-mato-grossense e influências da fronteira com o Paraguai, recebe o visitante com autenticidade, e com uma atmosfera que desperta curiosidade. Tudo ali tem propósito: a madeira de demolição retirada da histórica Ponte do 21, as mesas rústicas que remetem à vida de fazenda, as fitas paraguaias que trazem cor e identidade, os detalhes que contam histórias sem usar palavras.
É nesse cenário que turistas como Laís Peralta, carioca, compartilham relatos emocionados sobre o impacto da experiência. Ao entrar no Bacuri pela primeira vez, ela sentiu como se tivesse sido transportada para outro tempo, outro ritmo e outra forma de enxergar a culinária regional.
“Eu lembro de pensar: isso aqui não é só um restaurante. É como entrar na casa de alguém que quer te mostrar quem ele é através da comida. Na minha terra, a cultura é completamente diferente, então tudo ali foi uma descoberta nova.”, contou.
A decoração do Bacuri não foi apenas escolhida — ela foi pesquisada, coletada, restaurada e integrada como parte da experiência. Cada elemento carrega história. A madeira do bar, retirada da ponte que ligava gerações de moradores, transforma a estrutura em peça viva de memória.
A ambientação mistura:
Tudo para reforçar um conceito central: o Bacuri é um restaurante que preserva e enaltece o território em que nasceu.
Laís descreveu exatamente essa sensação:
“Eu sou do Rio de Janeiro, e a minha ideia de cozinha regional sempre foi outra. Quando entrei no Bacuri, parecia que estava entrando num capítulo da cultura sul-mato-grossense. É impossível não reparar no cuidado com cada detalhe.”
A sensação de acolhimento, reforçada pela estética, prepara o visitante para o que realmente importa: a comida.
O Bacuri trabalha com uma culinária que não tenta reinventar o Pantanal — ela busca celebrar o que já existe, mas com técnica refinada, processos contemporâneos e atenção absoluta aos ingredientes.
No cardápio, pratos icônicos da região são revisitados com precisão:
Cupim de Colher
Cozido lentamente até atingir uma maciez que se desfaz ao toque, mantendo a rusticidade típica da carne pantaneira, mas com apresentação impecável e equilíbrio de sabores.
Piraputanga Corumbaense
Um dos símbolos do MS, trabalhado com técnica para valorizar a suculência do peixe, harmonizando texturas e temperos que remetem às tradições pantaneiras.
Pintado ao Molho de Urucum
O clássico regional que ganha nova vida com um molho profundo, brilhante e aromático, resultado de um trabalho cuidadoso com o urucum — respeitando a originalidade, elevando a experiência.
Chipa Guazú
Prato típico da fronteira, se transforma em uma versão delicada, aerada e saborosa, mantendo a identidade paraguaia que influencia toda a culinária da região.
Frango com Bori Bori
Conforto, tradição e história. O Bacuri resgata o prato, aperfeiçoa técnica e traz à mesa uma versão robusta, aromática e extremamente afetiva.
Para Laís, cada garfada foi uma descoberta:
“Eu já tinha comido peixes de água doce antes, mas nada parecido. Era como se o sabor fosse familiar para eles, mas completamente novo para mim. O tempero, o aroma, a forma como tudo se encaixava… parecia que eu estava provando o Pantanal pela primeira vez.”
E é justamente isso que o Bacuri faz: apresenta o Pantanal para quem vem de fora, e devolve memória para quem é da terra.
Embora profundamente regional, o Bacuri se posiciona com clareza dentro da alta gastronomia. A proposta nunca foi replicar pratos tradicionais simplesmente; foi levar cada um deles ao máximo de seu potencial.
Isso envolve:
Nada ali é exagerado ou pretensioso. A alta gastronomia aparece na precisão.
Laís percebeu isso rapidamente:
“Eu senti que havia muito estudo por trás de cada prato. Não era só saboroso — era pensado, equilibrado, técnico. É diferente quando você percebe que alguém cozinhou com intenção.”
Ao viajar por Bonito, Laís visitou também a Casa do João e Juanita. Para ela, cada restaurante revelou um fragmento da cultura local — mas o Bacuri se destacou pela narrativa única.
“A Casa do João me deu aquele abraço aconchegante de comida afetiva. A Juanita me surpreendeu pelo ambiente, pela energia, pelas opções regionais. Mas o Bacuri… o Bacuri foi uma experiência completa. Era como entrar num filme, como ter uma visão profunda da identidade pantaneira.”
E completa:
“Nos outros restaurantes eu comi muito bem. No Bacuri, eu vivi uma história.”
O diferencial do Bacuri é a soma de tudo:
1. A comida tem alma
Os pratos conversam com o território, com a memória afetiva do povo pantaneiro, com a influência paraguaia, com as técnicas que atravessaram gerações.
2. A decoração não é estética — é narrativa
Cada detalhe conta um pedaço da história local, da madeira da Ponte do 21 às cores que remetem à fronteira.
3. A técnica não sobrepõe a tradição
Ela existe para elevar, não para substituir.
4. A experiência é sensorial do início ao fim
Não é apenas gastronomia — é imersão cultural.
5. O visitante sente o Pantanal com profundidade
E isso transforma o restaurante em muito mais do que um local para comer.
Segundo Laís, existe algo no Bacuri que não se explica totalmente — e talvez esse seja o charme:
“Eu não conhecia nada da cultura pantaneira. E, mesmo assim, quando saí de lá, tive a sensação de que tinha aprendido algo importante. É raro um restaurante causar isso.”
E não é por acaso.
O Bacuri nasceu para preservar histórias.
Para valorizar o território.
Para mostrar que a cozinha pantaneira merece ser vista, sentida e celebrada.